INTRODUÇAO À ANTROPOLOGIA

Aluna: Giulia Maria Reis Di Chiara Salgado

Prof. Laura Graziela Gomes

Vertentes do Movimento Feminista

     O movimento feminista foi criado a partir de exigências relacionadas, particularmente, às mulheres, tendo em vista as desigualdades impostas pelo sociedade a partir do gênero, tratando por sua vez, o feminino como inferior. É preciso evidenciar, porém, que apesar de mulheres sofrerem opressões de gênero semelhantes, há diversos outros recortes na sociedade que faz com que determinadas mulheres -dependendo de sua classe ou etnia, por exemplo- sofram para além e juntamente ao machismo. Logo, existe uma determinada urgência quanto algumas questões sociais para algumas integrantes do movimento que, não necessariamente é urgente à outras. Tal cenário, que envolve divergência de vivências, classe, etnia, sexualidade, acabou por fragmentar o feminismo em vertentes.

     As vertentes mais debatidas atualmente são Liberal, Radical, Interseccional (pós-moderno) e Feminismo Negro. O feminismo Liberal crê que a igualdade entre homens e mulheres na sociedade é conquistada por meio de reformas políticas e legais, pregando que as mulheres podem vencer a desigualdade das leis e dos costumes gradativamente, combatendo situações injustas pela via institucional e conquistando cada vez mais representatividade política e econômica por meio das ações individuais. Tal vertente fora muito usufruída no movimento das Sufragistas no século XIX.

     Já o feminismo radical, nasceu entre os anos 60, a partir das obras de Shulamith Firestone e Judith Brown. Diferente do feminismo liberal, que vê o machismo como fruto de leis desiguais, o feminismo radical vê no capitalismo a fonte da desigualdade entre gêneros, acreditando que a raiz da opressão feminina são aos papéis sociais inerentes aos gêneros. A partir dos anos 2010, com a explosão de debates sobre feminismo nas redes socias, tal vertente foi retomada por garotas jovens, autodenominadas “radfem”, readaptando discursos já usufruídos anteriormente para questões dos dias atuais, entrando em diversos debates complexos ideológicos complexos devido, por exemplo, sua visão sobre o gênero. Este, é à elas uma imposição social à partir do fator biológico, a genital. Acreditam então na abolição do gênero, e o tratam a partir do ponto de vista de como a sociedade encara o indivíduo, gerando diversos pontos contrários à concepção de gênero relacionada à causa trans, o que gera diversas tensões com a vertente intersseccional.

     O feminismo interseccional, por sua vez, surgiu no final dos anos 60, início dos anos 70 e entre suas principais autoras estão Avtar Brah, Anne McClinton e Kimberly Cranshaw. Tal movimento veio como parte de uma crítica ao feminismo radical, alegando que este dava conta apenas da demanda de mulheres brancas de classe média, isto é, não havia recorte de classe e etnia nos debates e não se refletia sobre para além do machismo, o racismo e opressão de classe que mulheres também sofriam. Tal vertente vem progressivamente procurando conciliar as demandas de gênero das demais minorias, fazendo com que haja diversos grupos de debate,  que abre porta à outros feminismos como o transfeminismo e o feminismo negro. Em contrapartida ao feminismo radical, trata o gênero e a identificação com este em uma esfera mais subjetiva, levando em conta sensações que determinariam a que gênero o indivíduo se encaixa e abre caminhos para a existências de dezenas de classificações e nomenclaturas sobre gênero, quebrando com os conceitos binários inseridos na sociedade.

     Pode-se concluir a necessidade de recortes de classe e etnia dentro dos movimentos sociais e percebe-se que, apesar de mulheres, a partir do ponto que partem de um impasse estrutural para além do machismo, torna-se complexo o diálogo. O movimento feminista possui diferentes vertentes por ter em vista que mulheres pensam, são, e possuem demandas diferentes dentro da questão. Percebe-se também que, até mesmo movimentos que pretendem a derrubada de determinadas estruturas, são moldados por pensamentos de pessoas brancas de elite, o que nos demonstra que as estruturas que sustentam o racismo são tremendamente fortes. Em outro viés, porém, percebe-se a crescente conquista de espaço das minorias étnicas, inclusive nos movimentos sociais, quebrando com diversos esteriótipos e barreiras sociais demonstrando e falando para além da realidade que atinge à elite branca, deixando explícito que existem, e resistem.

BLIBIOGRAFIA

http://www.brasilpost.com.br/2015/06/14/feminismo-correntes-feministas_n_6788376.html

http://transfeminismo.com/

http://blogueirasnegras.org/2014/07/21/por-quais-mulheres-o-feminismo-radical-luta/

http://radfem.info/

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