Universidade Federal Fluminense
Aluna: Camila Vaz Neto Ferreira Correia
Disciplina: Introdução à Antropologia (2016/1)
Professora: Laura Graziela Gomes

 

  Vivemos atualmente em nosso país, uma crise das instituições que ameaça o estado democrático de direito, afetando diretamente nossa economia, tema central do nosso trabalho de grupo.
A partir da leitura de uma bibliografia recomendada, podemos, através de um método comparativo, repensar as diferentes perspectivas econômicas adotadas em distintas sociedades e gerar reflexões a respeito do modelo econômico capitalista no qual estamos inseridos e que privilegia uma cultura baseada em acumular bens, fomentando a desigualdade, a que denominamos de cultura do consumo. Marshall Sahlins, em seu livro Sociedade Afluente Original, desfaz o mito universal de que os caçadores viviam apenas para caçar, não lhes sobrando tempo para constituir “cultura” e lazer. Designa sociedade afluente como aquela em que todas as necessidades materiais individuais são facilmente satisfeitas, “seja produzindo muito, seja desejando pouco”¹. Apoiados nesse conceito, podemos perceber a perversidade de um sistema midiático ao qual somos instados a consumir mais a todo instante, sendo bombardeado por uma publicidade que tenta nos seduzir e incutir em nossos pensamentos um ideal de que atingiremos plenitude, satisfação e felicidade através do consumo desenfreado de todo tipo de produto e serviço. Neste sentido, estamos em desvantagem com relação aos caçadores analisados por Marshall Sahlins, pois em sociedades capitalistas desejamos mais do que podemos consumir e a intenção primeira da publicidade em nossa sociedade capitalista é sempre a de influenciar e induzir a uma necessidade de adquirir e acumular novos bens. Esse tema dialoga diretamente com o trabalho de Monique Barbosa, que relaciona o ócio e a descartabilidade das tecnologias atuais a partir da leitura de Sahlins acerca de como se dá a utilização do tempo livre em sociedades tradicionais.
Assim como Sahlins, Marcel Mauss em Ensaio sobre a dádiva, nos lança um diferente olhar sobre como a economia em diferentes sociedades é construída através da troca de dádivas – obrigações impostas de dar, receber, retribuir, que não devem ser vistas como espontâneas e não são somente trocas de materiais, englobando também as trocas espirituais- nos dando maior substrato para repensarmos as diferentes formas de se constituir um sistema econômico.
A partir dessa leitura inicial e analisando o cenário econômico brasileiro, resolvi focar meu tema central numa área de extrema relevância para o país que é a agricultura familiar, a confrontando com o agronegócio de exportação, fazendo uma relação com a taxa de desemprego no país e utilizando uma pesquisa sobre a vontade da população carioca em deixar a cidade, por problemas urbanos tais como a violência, como exemplo de se repensar nossa estrutura econômica.
Segundo dados Portal Brasil, 70% da alimentação consumida pelos brasileiros vem da agricultura familiar e segundo consta no site do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), a agricultura familiar emprega mais de 70% da mão-de-obra no campo. É baseada na policultura e produção de variedades de alimentos. Já o agronegócio de exportação concentra a maior parte da terra no país, diminuindo as áreas da agricultura familiar e funciona a base da monocultura (soja, milho, cana, açúcar), degradando o meio ambiente, utilizando maior quantidade de agrotóxicos, gerando um risco à nossa saúde. Por ser quase toda automatizada, a produção não necessita de contratação de grande número de empregados, além de existirem muitas denúncias de utilização de trabalho escravo em suas colheitas.
Confrontando esses dados com a taxa de desemprego no país, que ficou em 11,2% no trimestre encerrado em abril, segundo dados do IBGE, e com a pesquisa realizada pela Rio Como Vamos, em que 58% dos cariocas dizem que se pudessem deixariam a cidade, gostaria de propor uma reflexão sobre um novo modelo de reforma agrária e talvez uma inversão do êxodo rural, como uma volta de parte da população ao campo. É claro que não podemos deixar de registrar que o agronegócio tem sua importância em geração de lucro, ajudando a elevar o PIB do país, porém é concentrado nas mãos de grandes indústrias e agricultores, não atuando para uma melhor distribuição de renda, que diminua as desigualdades sociais.

Referências Bibliográficas:

SAHLINS, Marshall.Sociedade Afluente Original. 1972
MAUSS, Marcel. Sociologia e antropologia. Editora Cosacnaify,2007. 315p.

Sites consultados:
file:///C:/Users/camila/Downloads/Marshall%20Sahlins%20Sociedade%20afluente%20original%20(1).pdf

http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2015/07/agricultura-familiar-produz-70-dos-alimentos-consumidos-por-brasileiro

http://www.incra.gov.br/mg-incra-e-mda-debatem-censo-da-agricultura-familiar

http://g1.globo.com/economia/noticia/2016/05/desemprego-fica-em-112-no-trimestre-encerrado-em-abril-diz-ibge.html

http://www.jb.com.br/rio/noticias/2015/09/29/segundo-ong-mais-da-metade-dos-cariocas-tem-vontade-de-sair-do-rio/

http://ageografiaeisso.blogspot.com.br/2011/03/agricultura-familiar-x-agronegocio-quem.html?m=1

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