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Introdução à Antropologia -1 / UFF

Blog de relatórios

GT 5 – Educação No Brasil

Nome: Douglas Figueira
Grupo: Educação no Brasil
Recorte: A Construção dos Currículos Escolares e O Capital Humano

  1. Desenvolva suas justificativas para o recorte que fez, tendo em vista o enfoque dado e decidido pelo seu Grupo;

Com o tema “Educação no Brasil”, o foi decido que nosso grupo faria um seminário com enfoque no Movimento de Ocupação das Escolas.
Abordei como as formas contemporâneas de avaliação tendem a diluir as fronteiras entre conhecimento escolar e não escolar, uma vez que inibem um currículo mais acessível e mais relevante economicamente. Sobre a criação do capital humano, falei sobre a reflexão de Franz Boas e seus discípulos, entre eles Margareth Mead, a respeito da pedagogia que se aplicava na sociedade moderna, principalmente na sociedade norte americana, estabelecendo uma forte crítica em relação aos valores liberais econômicos impostos através da educação. Falei também sobre a tentativa de adequar os resultados das escolas ao que é tido como as “necessidades da economia”, numa espécie de vocacionalismo em massa, escolas sendo tratadas como um tipo de agência de entregas, que deve se concentrar em resultados e prestar pouca atenção ao processo ou ao conteúdo do que é entregue.

  1. Explique como ele se relaciona com os demais recortes feitos pelos demais membros. Analise a relevância dele, isto é, de que forma ele contribuiu para o desenvolvimento do enfoque escolhido pelo seu Grupo?

Para chegarmos a esse atual cenário das ocupações, fomos no incio. Começamos com a origem da escola Formal, onde explicamos um pouco sobre como surgiu esse modelo contemporâneo de educação. Em seguida falamos sobre o papel da escola na emancipação e no transmissão do que chamamos de conhecimento teórico. Após falarmos brevemente sobre os modelos pedagógicos, chegamos aos meus recortes, que foram A Construção dos Currículos Escolares e O Capital Humano. Encerrei falando sobre como uma ênfase no conhecimento mascara o ponto até o qual os detentores do poder definem o que conta como conhecimento, fazendo uma ponte para o próximo tema, que era Movimento Escola Sem Partido.

  1. Que importância a leitura dos textos fornecidos tiveram na organização do enfoque escolhido pelo seu Grupo? Analise o recorte feito por você, em função dos textos fornecidos. Explicite as relações que você fez.

Ao fazer meu recorte, não consegui aproveitar os textos propostos, fiz uma pesquisa, e achei dois que se encaixavam melhor com meu recorte. são eles “Antropologia da Educação: Apontamentos entre Malinowski e Paulo Freire”¹ de Eric Carlos de Mari e “Para que servem as escolas?”¹ de Michael Young. Embasei meu trabalho nesses dois textos e em alguns artigos que foram postados no grupo do Facebook. Meu rascunho contia trechos dos textos e algumas anotações vindas dos sites indicados pela professora Laura.

  1. De seu ponto de vista qual seria o tema/enfoque desenvolvido por outro GT que teria mais relação com o desenvolvido pelo seu grupo. Explique.

O GT 1 – Raça e História no Brasil. Em suma, temos a questão das cotas. As ocupações tem como umas das reivindicações, a melhoria no ensino publico, e vão de encontro as politicas afirmativas nesse assunto. Embora não seja uma solução definitiva, as politicas afirmativas colocam os estudantes da rede publica de ensino, no mesmo patamar das escolas privadas afim de auxiliarem no ingresso no ensino superior. A falha do estado nas escolas são o principal motivo do enfoque dado nos dois grupos.

Referências Bibliográficas:
¹ http://www.uel.br/eventos/sepech/sepech08/arqtxt/resumos-anais/EricCMari.pdf retirado 28 de Julho de 2016.
² http://www.scielo.br/pdf/es/v28n101/a0228101.pdf retirado 28 de Julho de 2016.
http://www.sul21.com.br/jornal/artigo-na-wikipedia-sobre-paulo-freire-e-alterado-a-partir-de-rede-do-governo-federal/ acesso 28 de Julho de 2016.
http://blog-do-concurso.folhadirigida.com.br/blog-fd/destaques-home/2016/06/no-rio-policiais-podem-ser-autorizados-a-atuar-como-professores/ acesso 28 de Julho de 2016.
http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/30858/sem+tempo+para+sonhar+eua+tem+mais+negros+na+prisao+hoje+do+que+escravos+no+seculo+xix.shtml acesso 28 de Julho de 2016.
http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/de-espectador-a-sujeito/ acesso 28 de Julho de 2016.
http://novaescola.org.br/dia-a-dia-na-educacao/perguntas-respostas-escola-sem-partido-doutrinacao-educacao-956440.shtml acesso 28 de Julho de 2016.

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GT 5 – Educação no Brasil

Aluna: Irina Rani Borges

Professora: Laura Graziela Gomes

Disciplina: Introdução à Antropologia

O GT 5 – Educação no Brasil escolheu como foco o Movimento de Ocupação das Escolas, tendo em vista que esse é um tema expressivo e atual, e que representa a ação política da juventude brasileira. Eu escolhi dois recortes: 1) A Origem da Escola Moderna; 2) Objetivos e Características da Escola Moderna. O propósito foi contextualizar a educação atual, mostrando suas bases ora revolucionárias, ora conservadoras, sem esquecer que a escola como conhecemos hoje, também é fruto de projetos intelectuais no molde capitalista e iluminista.

Julguei importante fazer um paralelo entre os valores modernos da família e da infância com o Movimento Escola Sem Partido, que tem como pressuposto principal, o controle da transmissão de conhecimento para a conservação desses valores. Em contrapartida, o Movimento de Ocupação das Escolas também utilizam valores modernos, como a liberdade individual, a laicidade e a igualdade como garantias do Estado Democrático, buscando melhorias nas escolas públicas brasileiras. Então o recorte foi escolhido para contribuir com a contextualização do papel da Escola na sociedade e se este papel é desenvolvido.

O texto de Bóris Maia “Os Poderes Mágicos da Explicação”, foi significativo para refutar a argumentação do Movimento Escola Sem Partido. No meu recorte, serviu para articular a importância da explicação na transmissão do conhecimento teórico – um dos papeis da escola. O autor explica que o sucesso da explicação se dá a partir da performance ritual da autoridade “carismática”.

A maior contribuição apresentou-se com o Grupo de “Família e Parentesco no Brasil”, pois ele relaciona os valores iluministas, como a noção do “amor romântico” de Jean-Jacques Rousseau, às divergências dentro da atual sociedade brasileira. Nesse grupo também é colocado em cheque a família e como outras instituições lidam com a liberdade da orientação sexual. A escola oferece grande influencia sobre o tema e recentemente a discussão teve grande destaque com a distribuição da cartilha de orientação sexual nas escolas. Esse é um dos argumentos do Movimento Escola Sem Partido, que defende a ideia de que os professores “transformam os jovens em gays”. Por esses motivos achei os dois temas congruentes.

BIBLIOGRAFIA:

MAIA, Boris. Os poderes mágicos da explicação: autoridade professoral e performance ritual em uma escola pública. Rio de Janeiro, 2014.

GT 3 – Gênero e Sexualidade – PT 7: Atuação das mulheres indígenas 1/2

Introdução à Antropologia
Prof. Laura Graziela Gomes
Aluna: Maria Dayane Ferreira Brito
Atuação das mulheres indígenas 1/2

Neste grupo abordamos o debate de gênero dentro da sociedade brasileira. Para fazer justiça às diversas possibilidades de ser brasileiro, é preciso considerar as necessidades dos diferentes grupos que se manifestam no território nacional. Levando em conta essa grande diversificação da sociedade, foi preciso compreender as diferentes faces do feminino, bem como as relações que se desenvolvem a partir dele. Foi necessário entender questões relativas ao caráter heteronormativo das relações que são construídas socialmente e os padrões impostos às mulheres brasileiras. Com isso, optei por trabalhar a questão da mulher indígena. Tanto abordando o seu papel tradicional dentro das suas comunidades locais, como na sua apropriação de pautas e questões de gênero na reivindicação de demandas que lhe eram importantes. Sobretudo a partir da década de 1980.

Dentro das manifestações do feminino no Brasil, encontra-se, mesmo que quase isolada desta sociedade, a mulher indígena brasileira. Mas para refletir sobre sua situação passada e atual a partir de um olhar antropológico, é preciso considerar que aqui estamos lidando com duas (isto para não dizer inúmeras, quando podemos enxergar as ramificações da sociedade brasileira em suas manifestações ocidentais e a diversidade das sociedades indígenas) formas antagônicas de compreender e experimentar o mundo. Dessa forma, quando falamos de gênero e da atuação da mulher indígena dentro das sociedades indígenas brasileiras e do movimento indígena (sendo esta a forma de participação do indígena dentro do Estado nacional), não podemos rotulá-la simplesmente como um “feminismo indígena”. Uma análise mais profunda mostra que essa atuação feminina indígena começa muito antes da inserção do debate de gênero dentro do movimento indígena, e que se faz presente dentro das aldeias muito antes do próprio movimento existir. Mostra também que esta atuação, quando em contato com o mundo ocidental, se dá de maneira diferenciada em relação a do feminismo tradicional, pois as demandas das mulheres indígenas ultrapassam as demandas de gênero. As mulheres indígenas, ao longo da trajetória histórica do movimento indígena foram abraçando pautas especificamente femininas, mas suas pautas dizem respeito também às necessidades de toda a aldeia.

Utilizamos como base o texto de Maria Helena Ortolan Matos, “Mulheres no movimento indígena: Do espaço de complementariedade ao lugar da especificidade” para compreender a motivação das mulheres indígenas de se organizarem entre elas mesmas em organizações específicas. Num primeiro momento, como explica a autora, as indígenas se inseriram no movimento “dos homens” criando departamento de mulheres nas organizações indígenas criadas a partir dos anos 70 e institucionalizadas no final dos anos 80. Não é que a mulher indígena tenha passado a ter voz apenas quando elas se inseriram no movimento indígena ou na institucionalização deste. Isto pode ser observado na análise dos mitos amazônicos e das sociedades indígenas em geral, onde o espaço de poder da mulher na coletividade é marcado como o de criadoras e transformadoras do universo indígena, mostrando que seu papel nas decisões é ativo e decisivo. Tudo o que nasce e vive vem a partir da mulher, toda a aldeia depende das responsabilidades que ela assume dentro da aldeia.

A questão da alteridade se faz presente especialmente quanto à diferenciação do lugar onde essas decisões políticas dos indígenas são tomadas. No mundo ocidental, o local “público” é o lugar onde acontecem os debates sobre as questões políticas e também onde elas são consolidadas. Devido a nossa forma de organização patriarcal, as esferas públicas são predominantemente masculinas. Em contraste com essa visão, na cosmologia indígena o local público é também predominantemente masculino, porém todas as decisões são tomadas no que chamaríamos de “privado”, a aldeia (muito embora a configuração indígena para o público e privado tenha uma complexidade diferenciada). Fica claro que o papel do homem é apenas de negociador e representante das mulheres, da aldeia e do que ficou decidido dentro dela.

Do contato entre os indígenas e o homem branco resulta então a assimilação de valores ocidentais, onde as decisões passam a ser tomadas também nas esferas públicas, o que acaba gerando um desequilíbrio na importância dos gêneros na tomada de decisões. As mulheres indígenas, percebendo esse desequilíbrio percebem a necessidade de se organizarem entre elas mesmas para criar o que chamamos de protagonismo (termo feminista) e assegurar seu poder de fala dentro do movimento indígena nos espaços públicos (organizações).

Trabalhando com a autora Ângela Sacchi, no seu texto “Mulheres indígenas e participação política: a discussão de gênero nas organizações de mulheres indígenas”, pude aprofundar a questão do debate de gênero dentro das comunidades indígenas, relacionando-o ao contexto mais global do feminismo. O recorte que optei por trabalhar traz luz ao nosso olhar ocidental, que se torna problemático ao interpretar as culturas apenas à sua maneira. A consciência antropológica evidencia que não podemos reduzir a luta indígena feminina e enquadrá-la apenas como “parte” do feminismo ocidental. É necessário compreender que esta é uma luta com particularidades próprias, demandas próprias, um processo histórico próprio, que deve ser visto e interpretado exclusivamente a partir dessa conjuntura histórica interna e das demandas internas dessas mulheres. A organizaçao feminina que surge dentro das aldeias não se cria para desconstruir a organizaçao tradicional indígena, mas pra reequilibrá-la depois que os contatos e as negociações feitas junto a agentes federais e a ONG’s são estabelecidos.

O distanciamento entre as sociedades indígenas e as minorias citadas pelo nosso grupo (como as mulheres, os casais homoparentais, LGBTs) em relação à heteronormatividade marcante na sociedade brasileira como um todo, diz respeito à questão indígena abordada pelo GT-1 Raça e História. Esta subdivisão do GT-3 Gênero e Sexualidade demonstra que os indígenas são colocados à margem da sociedade em relação aos grupos dominantes. São igualmente marginalizados dentro da predominância do pensamento ocidental. Sentem, com isso, a urgência de se mobilizar pelo “reconhecimento legal do direito à diferença no Estado nacional” (MATOS) e com a intenção de fazer valer direitos que já são garantidos constitucionalmente, mas que continuam a ser desrespeitados.

BIBLIOGRAFIA

ORTOLAN MATOS, Maria Helena. “Mulheres no movimento indígena: do espaço de complementariedade ao lugar da especificidade”. In: Ângela Sacchi; Márcia Maria Gramkow. (Org.). Gênero e Povos Indígenas. Rio de Janeiro; Brasília: Museu do Índio-FUNAI; GIZ, 2012, pp. 140-171.

SACCHI, Ângela. Mulheres Indígenas e Participação Política: a discussão de gênero nas organizações de mulheres indígenas. Revista Anthropológicas, v. 14, 2003, pp. 105-120.

GT 7: Religião no Brasil

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE
Curso: Antropologia
Cadeira: Introdução a Antropologia
Professora: Laura Graziela Gomes
Aluno: Victor Henrique Nunes

Pentecostalismo e Neopentecostalismo na sociedade brasileira e os desdobramentos desse crescimento na mídia e na política.

  1. Desenvolva suas justificativas para o recorte que fez, tendo em vista o enfoque dado e decidido pelo seu Grupo;

Com o objetivo de tratar dos acontecimentos que temos presenciado no país, particularmente a partir da religião e suas nuances com o a política brasileira, enumeramos diversos recortes que poderiam compor o nosso trabalho e apresentar conclusões claras e bem direcionadas sobre a linha central que seria desenvolvida.

A partir das importantes contribuições sobre o recrudescimento das ideias religiosas compartilhadas em nossas discussões, do posicionamento jurídico atual que perpassa o viés conservador e das questões que geram dúvidas sobre a real laicidade do estado, decidi fazer o recorte sobre o grupo que tem ganhado forças nos últimos 30 anos e demandado grande atenção de acadêmicos, políticos, religiosos de diferentes matizes, bem como leigos e aqueles que se interessam por questões desse prisma. Tal grupo tem sido o precursor de um posicionamento nunca antes visto de sectarismo, intolerância e uso das instituições para seu aparelhamento frente às propostas que milita.

Pensando nisso, decidi contribuir com a apresentação sobre os neopentecostais, suas características, ascensão política e midiática, bem como a diferenciação com outros grupos protestantes.

  1. Explique como ele se relaciona com os demais recortes feitos pelos demais membros. Analise a relevância dele, isto é, de que forma ele contribuiu para o desenvolvimento do enfoque escolhido pelo seu Grupo?

Meu recorte deu maior clareza sobre quem são esses que tem engendrado tamanho investimento para obter poder, representação e domínio para defender seus projetos e proteção quanto as suas ações escusas. O Brasil é um país de maioria cristã, mas através das pesquisas conferimos que uma parcela desse grupo, denominados neopentecostais, representam a maior força organizada que tem se destacado nas discussões sobre a laicidade do estado (ou o combate a ela) e dos diversos conflitos sociais presenciados em nosso tempo. As abordagens dos membros do grupo sobre os conflitos com outros grupos religiosos, preconceito sexual, interpretação literal de porções históricas da Bíblia para fundamentar ações de intolerância e o aumento de juristas com perfil conservador, estiveram melhor sedimentados com o recorte apresentado sobre os neopentecostais, suas formas de atuação e ramificação nas diferentes camadas da sociedade.

 

  1. Que importância a leitura dos textos fornecidos tiveram na organização do enfoque escolhido pelo seu Grupo? Analise o recorte feito por você, em função dos textos fornecidos. Explicite as relações que você fez.

Nos deram uma boa linha de raciocínio. Durkheim apresenta claramente quais são os elementos que identificam se uma sociedade é, de fato, laica e como ela se organiza a partir desse viés. Percebemos, a luz do texto “As Formas Elementares da Vida Religiosa”, que a sociedade brasileira possui uma constituição federal que lhe assegura laicidade, mas que de fato não o é, haja vista os benefícios que variados grupos, dependendo a esfera e os representantes públicos que ali estão destacados, recebem ao longo dos séculos e como se aparelham a partir dessa premissa.

Através dessa leitura, é possível notar uma importante afirmação de Durkheim sobre a necessidade de “substitutos racionais” desempenharem as importantes funções desempenhadas pela religião, uma vez que não se pode ignorar os enormes serviços por ela prestados à história da humanidade. Como ao longo dos séculos o estado tem se mantido distante de cumprir com as demandas apresentadas pela sociedade, mais facilmente será para a religiões se colocarem nessa posição e arregimentarem seguidores atendidos em suas “práticas e serviços. ” Isso está diretamente ligado ao que foi apresentado sobre o crescimento das religiões pentecostais e neopentecostais entre as classes mais necessitadas da sociedade da brasileira.

  1. De seu ponto de vista qual seria o tema/enfoque desenvolvido por outro GT que teria mais relação com o desenvolvido pelo seu grupo. Explique.

Acredito que o trabalho que tratou sobre Mídia e Sociedade, do GT 6, que apresentou como a sociedade brasileira é uma assídua consumidora de programas televisivos e como aceita o que é despejado diariamente pelas telinhas, absorvendo as informações de maneira passiva.

Conforme a sociedade, aparentemente, inclina-se para uma posição mais conservadora e os grupos pentecostais e neopentecostais ampliam suas bases nos mais diversos segmentos sociais, nota-se que a mídia segue, consideravelmente, o eco oriundo dessas vertentes religiosas. A proporção de veículos midiáticos que estão nas mãos daqueles que detém o poder tem crescido a cada ano e influenciado praticamente todas as esferas de uma nação. O jornalista Leão Serva afirma que 20% das três mil emissoras de rádio do país estão nas mãos de evangélicos (O Estado de São Paulo, 27.9.1997). Embora considere exagerada a cifra de seiscentas emissoras evangélicas, é inegável que esses religiosos, nos últimos anos, passaram a adquirir mais e mais concessões. Eles figuram, além disso, entre os principais difusores das chamadas rádios comunitárias.

 

PEQUENOS RECORTES ALUSIVOS AO TEMA

Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil

“Socializados nas inovadoras e materialistas doutrinas da Teologia da Prosperidade, mudaram sua prioridade. Tornaram-se, com respaldo e estímulo religiosos, mais imediatistas e pragmáticos. Isto é, antes de irem viver eternamente ao lado de Deus, futuro para o qual se creem destinados, eles querem gozar, ao máximo, com tudo a que têm direito e sem a menor culpa moral, esta vida e o que julgam haver neste mundo. Almejam, em suma, a felicidade. ” (Mariano, 1999)

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“Com o neopentecostalismo, a velha “mensagem da cruz”, discurso teológico que pregava o sofrimento terreno cristão, caiu por terra. Conhecer Jesus, ter um encontro com Ele e a Ele obedecer constituem, acima de tudo, meios infalíveis para o converso se dar bem nesta vida (…) Nos templos e na mídia, Cristo é propagandeado como panaceia para todos os males terrenos. Haja vista que a tarefa primordial desse Deus (…) é a de protege-los e abençoá-los pronta e abundantemente em todos os campos da vida. ” (Mariano, 1999)

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“Com o propósito de superar precárias condições de existência, organizar a vida, encontrar sentido, alento e esperança diante de situação tão desesperadora, os estratos mais pobres, mais sofridos e menos escolarizados da população, isto é, os mais marginalizados – distantes do catolicismo oficial, alheios a sindicatos, desconfiados de partidos e abandonados à própria sorte pelos poderes públicos – , tem optado voluntária e preferencialmente pelas igrejas pentecostais. Nelas, encontram receptividade, apoio terapêutico-espiritual e, em alguns casos, solidariedade material. A correlação existente entre pobreza e pentecostalismo, entretanto, não explica os motivos da expansão desta religião, nem muito menos as razões do crescimento desigual das diferentes igrejas. ” (Mariano, 1999)

“Por mais esforços que se faça, não há como não notá-los, mesmo na política partidária, terreno do qual até há pouco, por sectarismo, mantinham-se deliberadamente afastados. Rompendo com seu antigo apoliticismo, diversos grupos pentecostais passaram a engajar-se ativamente na política partidária por ocasião do Congresso Nacional Constituinte de 1986, despertando o interesse da mídia, dos partidos e dos pesquisadores (Pierucci, 1989).

“Ao substituírem a velha máxima “crente não se mete em política” por projetos eclesiásticos corporativistas radicados no slogan “irmão vota em irmão” – título do livro de um pastor assembleiano (Sylvestre, 1986) –, entraram de “corpo e alma” no jogo político. Avidamente cortejados e assediados por partidos e candidatos, vários desses “irmãos” passaram a trocar voto e apoio eleitoral por cargos, recursos, favores e concessões – sempre públicos – de toda espécie.” (Mariano, 1999)

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O jornalista Leão Serva afirma que 20% das três mil emissoras de rádio do país estão nas mãos de evangélicos (O Estado de São Paulo, 27.9.1997). Embora considere exagerada a cifra de seiscentas emissoras evangélicas, é inegável que esses religiosos, nos últimos anos, passaram a adquirir mais e mais concessões. Eles figuram, além disso, entre os principais difusores das chamadas rádios comunitárias. (Mariano, 1999)

O lema mais forte da IURD, destacada nos estudos sobre o movimento neopentecostal, é “Pare de Sofrer”. Os pastores da igreja trabalham muito, quesito em que a Universal é incomparável, segundo Mariano, para atender membresia e clientela extremamente carentes, sofredoras e marginalizadas. Segundo a pesquisa Novo Nascimento, extenso survey realizado pelo ISER no Grande Rio em meados dos anos 90, 63% dos fiéis da Universal ganham menos de dois salários mínimos e 28% entre dois e cinco salários. Ou seja, 91% recebem mensalmente menos de cinco salários. 50% tem menos de quatro anos de escolaridade e 85% não passaram do primário. (Fernandes, 1996: 10). Por piores que sejam os indicadores sociais brasileiros, os membros da Universal têm renda e escolaridade bem inferiores às da população. São, portanto, os muito pobres e marginalizados que fazem a fortuna da Universal.

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Um fator interessante, é a via-crúcis que o indivíduo precisar fazer na Universal se deseja assumir o pastorado. Ele precisa negar a si mesmo, abandonar trabalho, estudo e, no caso de solteiros, família. Pastores casados sem filhos e aqueles prestes a se casar são incentivados a fazer vasectomia para poderem se dedicar exclusivamente à obra divina. Os pastores praticamente não têm folga. Estão sempre atarefados com quatro, cinco cultos diários, aconselhamento pastoral, programas de rádio, vigílias e, no final do expediente, com montanhas de cédulas de dinheiro para contar. Dormem pouco. Trabalham muito, além da conta até. Quase não possuem tempo para a família ou outro tipo de atividade que não a pastoral. Alguns não aguentam o ritmo estafante, desistem do cargo eclesiástico e retornam à condição de membros ou obreiros.

Participação política: clientelismo

Ao lado da Assembleia de Deus, a Universal é a igreja pentecostal com maior sucesso eleitoral. Como as demais estratégias de inserção social de que se vale, participa da política – lançando candidaturas próprias desde a eleição de 1982 – para expandir seu crescimento e defender seus interesses corporativos, entre os quais alardeia o da liberdade religiosa. Alega que, com representantes no parlamento, no caso de “perseguição”, estará preparada para lutar pela manutenção de suas concessões de emissoras de rádio e TV. Seu engajamento na esfera política, como se vê, não é desinteressado nem nobre. Visa basicamente a duas coisas: conquista de poder e atendimento dos interesses corporativos da denominação e das causas evangélicas.

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O alarmante desse cenário é que a própria Bíblia refuta as práticas de charlatanismo, curanderismo, estelionato, enriquecimento ilícito, sectarismo e diversas outras práticas vergonhosas de tais líderes que anunciam a tal Teologia da Prosperidade. Longe de enfatizar a importância de riquezas, a Bíblia adverte os seguidores da fé cristã para irem contra esse frenesi de “correr atrás de bens” terrenos. Os cristãos, principalmente os líderes da igreja (1 Timóteo 3:3), devem se livrar do amor ao dinheiro (Hebreus 13:5). O amor ao dinheiro leva a várias formas de mal (1 Timóteo 6:10). Jesus advertiu: ” Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lucas 12:15). Em grande, a Bíblia aborda a questão de se ganhar muito dinheiro e ter muitas posses nessa vida, como Jesus disse: “Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19). A contradição irreconciliável entre o ensino do evangelho da prosperidade e o evangelho de Jesus Cristo é resumido nas palavras de Jesus em Mateus 6:24: “Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará a um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro.”

Pelo que vejo, o que tem faltado a muitos seguidores desses movimentos neopentecostais ufanistas, é colocarem em prática o simples ensinamento deixado pelo próprio mestre do cristianismo, o de conhecer e examinar as Escrituras (João 5.39).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DURKHEIM, Emile. Formas Elementares da Vida Religiosa – O Sistema Totêmico na Austrália. São Paulo. Martins Fontes. 2000

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais – Sociologia do Novo Pentecostalismo no Brasil. São Paulo. Edições Loyola. 1999

OLIVEIRA, Marco Davi – A Religião Mais Negra do Brasil. Viçosa/MG. Ultimato. 2015

EVANGÉLICOS de Raiz, Infográfico. Disponível em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/evangelizacao-a-brasileira  Acesso em: 10 jul. 2016

ALEXANDRE, Ricardo – Afinal, Quem São os Evangélicos? Disponível em http://www.cartacapital.com.br/sociedade/afinal-quem-sao-201cos-evangelicos201d-2053.html  Acesso em 13 jul. 2016

SENKEVICS, Adriano – A “Nova Classe Média” e o Crescimento das Igrejas Evangélicas. Disponível em https://ensaiosdegenero.wordpress.com/2013/10/24/a-nova-classe-media-e-o-crescimento-das-igrejas-evangelicas/  Acesso em 13 jul. 2016

CORTÊS, Thiago – A Bancada Evangélica e a Corrupção. Disponível em https://colunas.gospelmais.com.br/bancada-evangelica-e-corrupcao_9971.html  Acesso em 14 jul. 2016

CENSO 2010, Resultados, Religião – Disponível em http://censo2010.ibge.gov.br/resultados Acesso em 14 jul. 2016

GT 1 -Raça e História: Políticas afirmativas e luta por direitos

         

UFF – Bacharelado em Antropologia – 2016 – Primeiro Semestre. Docente: Laura Graziela Gomes

Maria Inez Rodrigues da Silva Almeida

Raça e História: Políti…

Fonte: GT 1 -Raça e História: Políticas afirmativas e luta por direitos

GT 7 – Religião no Brasil.

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Nome: Guilherme Paiva Carvalho

Disciplina: Introdução à Antropologia

Recorte: Neopentecostalismo, favela :

 

  1. Desenvolva suas justificativas para o recorte que fez, tendo em vista o enfoque dado e decidido pelo seu Grupo.

            Ao analisar o cenário político atual brasileiro percebe-se a grande presença de políticos pertencentes às igrejas neopentecostais que articulam e impõem dentro da esfera pública suas inclinações sectárias e fundamentalistas. A atuação da bancada evangélica, como são chamados esses políticos, traz á tona os questionamentos a cerca da laicidade do Estado brasileiro e quais são os mecanismos que os Neopentecostais utilização para terem forte presença dentro dos cargos políticos. É nessa perspectiva que faço meu recorte sobre os desdobramentos da presença dos evangélicos nas favelas brasileiras e suas aproximações com o poder paralelo (tráfico de drogas).

            A presença dos neopentecostais em favelas releva as influências têm sobre a população através das Teorias da Prosperidade e da Dominação que consequentemente ordena a forma que os fiéis vão tratar os assuntos de caráter público, aqui não separaram o Estado e a Religião. Além disso, as aproximações que os evangélicos têm com o tráfico na favela também são um forte instrumento para a imposição dos ideais religiosos, pois tendo como aliado o trágico as igrejas se empoderam dentro do local e conseguem subsídios para a prática religiosa.

 Contudo, o recorte trás as artimanhas que os neopentecostais utilização dentro da favela com o intuito de fomentar a opinião pública e fortalecer os aliados políticos em prol dos seus ideais religiosos. Com efeito, formulam a cultura política brasileira.

  1. Explique como ele se relaciona com os demais recortes feitos pelos demais membros. Analise a relevância dele, isto é, de que forma ele contribuiu para o desenvolvimento do enfoque escolhido pelo seu Grupo?

 

O recorte dialogou com os demais recortes feitos no tema. Desmembro abaixo como se deu essa interlocução.

            A delimitação do tema possibilitou caminhar sobre uma perspectiva pouco estudada, mas que tem a ver com a formulação da cultura política brasileira. A não separação do Estado e Religião pode ser percebida dando um enfoque dentro da favela. Dentro desse local pode-se desvendar a forma que o pensamento religioso consegue interferir em uma macroestrutura (Estado). Isso se concretizar nas articulações que os neopentecostais fazem com poder público (bancada evangélica) e o tráfico para impor suas convicções religiosas.

            Avançando sobre outro recorte do grupo, o sistema inquisitorial ainda está presente nas questões políticas e sociais. Os conceitos de acusado e culpado, condenado e etc. estão presentes nos neopentecostais. Coloco aqui duas dualidades expressivas que utilizam nos seu sistema de acusação; bem e mal, céu e inferno. Nesse sentido, os neopentecostais utilizam desses conceitos para impor suas convicções, vide projetos de lei com base na religião.

            Aqui tratarei dos três últimos recortes feitos pelo grupo; crescimento do neopentecostalismo, formulações bíblicas e intolerância. No Brasil a 3ª onda (neopentecostalismo) cresceu e se fortaleceu onde os contextos de precariedades político-sociais são mais abundantes (VITAL DA CUNHA, 2008), principalmente em favelas.  Com o empoderamento das igrejas evangélicas muitas terreiros de Umbanda e Candomblé fora expulsos pelo tráfico. As formulações da bíblia passaram a reinar sobre a localidade.  Isso demonstra as conseqüências que se deram por causa das aproximações dos neopentecostais com o tráfico de drogas.

            Percebe-se, então, que o recorte esteve em diálogo com os demais recortes do grupo.

  1. Que importância a leitura dos textos fornecidos tiveram na organização do enfoque escolhido pelo seu Grupo? Analise o recorte feito por você, em função dos textos fornecidos. Explicite as relações que você fez.

 

O texto de Emile Durkheim ( As Formas Elementares da Vida Religiosa) nos proporcionou uma base teórica para que pudéssemos compreender como funciona sistema religioso. Para o autor a religião é um sistema de crenças e práticas, ela articula rituais e símbolos que criam afinidades sentimentais que constitui a base de classificações e representações coletivas.

A religião baseia-se na dualidade sagrado e profano que são um conjunto de práticas e representações. Com isso a religião é uma realidade intelectual. Os rituais fazem dela uma influência da moralidade que age definindo as fronteiras do certo e do errado.

É nessa perspectiva que me baseio para entender como funciona a relação dos neopentecostais dentro da favela. O recorte que fiz foi das mudanças ocorridas na favela de Acari no Rio de Janeiro, onde houve uma ascensão das igrejas neopentecostais e suas aproximações com o tráfico.

Nesse sentido, as igrejas evangélicas passaram a ser as guardiãs da moral e propagadoras da verdade dentro da localidade. Com isso, as igrejas de matriz africana passaram a ser perseguidas, as expressões dessa religião (imagens e altares) foram tiradas da favela para dar lugar a disseres da bíblia. Isso evidencia a dualidade do sagrado e do profano.

Com relação aos limites que a religião coloca, podem-se observar os traficantes evangélicos que eram convertidos, mas não santificado. A interação com a igreja não é total. A igreja se beneficia dessa aproximação, consegue através do tráfico financiamento para promover shows e confeccionar pinturas com os disseres bíblicos.

  1. De seu ponto de vista qual seria o tema/enfoque desenvolvido por outro GT que teria mais relação com o desenvolvido pelo seu grupo. Explique.

            Muitos recortes dos grupos trouxeram informações que tangenciavam a religião, mais precisamente as concepções e imposições que os neopentecostais têm sobre a educação, mídia, consumo, gênero e etc. Porém é expressiva a presença dos evangélicos dentro da Mídia de massa (televisão e rádio) no Brasil, a partir da utilização desses espaços conseguem, em uma escala mais ampla, perpetuar seus ideais religiosos na sociedade brasileira. Por isso, o GT 6 – Mídia e Sociedade no Brasil trouxe o discurso mais aproximado do GT 7.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DURKHEIM, Emile. Formas elementares da vida religiosa. São Paulo. Martins Fontes, 2000.

SILVA, Raquel Cabral. Conflitos religiosos e espaço urbano contemporâneo: cruzamento dos fenômenos de dispersão espacial dos sistemas de significações religiosas de neopentecostais e religiões afro-brasileiras no Rio de Janeiro. Tese (Mestrado). UFSM. Santa Maria, 2013.

VITAL DA CUNHA, Christina. “Evangélicos em ação nas favelas cariocas: um estudo socio‑antropológico sobre redes de proteção, tráfico de drogas e religião no Complexo de Acari”. Tese (Doutorado). PPCIS/UERJ. Rio de Janeiro, 2009.

VITAL DA CUNHA, Christina. “Traficantes evangélicos”: novas formas de experimentação do sagrado em favelas cariocas. Revista do Programa de Pós‑Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.15, 2008.

GT 3 – Gênero e Sexualidade – PT 2: Perspectiva Histórica

Prof.ª: Laura Graziela Gomes

Aluno: Marcos Vinicius Carvalho

Cadeira: Gênero e Sexualidade

Perspectiva Histórica Feminista

Não tem como aborda sobre gênero e sexualidade e não falar do Feminismo. Um campo vasto de conhecimento. É um assunto muito complicado de falar. Foram feitos recortes para que todos pudessem comunicar e para que os homens que estão no grupo pudessem aprender e por em prática o que foi absorvido com o assunto.

Ao falar da perspectiva histórica do feminismo, vemos o quão difícil foi para elas sobreviverem uma sociedade onde elas são oprimidas e menosprezadas. Há artigos e estudos arqueológicos que mostra que existiram sociedades matriarcais onde as mulheres eram consideradas a fonte de todas as sociedades humanas. Fontes arqueológicas confirmam amplamente a existência de divindades femininas.

Na China contemporânea, no povoado Mosuo de 30 mil pessoas, às margens do Lago Lugu, há uma sociedade matriarcal, onde não existem os papéis de pai ou marido. A propriedade particular e o nome da família são passados de mãe para filha; os homens fazem as atividades domésticas e são comandados pelas mulheres.

Na Indonésia, o povo Minangkabau é da parte oeste da ilha e a sociedade é matriarcal. A propriedade segue a linhagem de mãe para filha e o sobrenome é sempre o materno. A manufatura é principal atividade dessas artesãs que fazem sarongues bordados com fios dourados.

A luta feminina na sociedade patriarcal começa no século XIX.  A primeira onda do feminismo se refere a um período extenso de atividade feminista ocorrido durante o século XIX e início do século XX no Reino Unido e nos Estados Unidos, que tinha o foco originalmente na promoção da igualdade nos direitos contratuais e de propriedade para homens e mulheres, e na oposição de casamentos arranjados e da propriedade de mulheres casadas (e seus filhos) por seus maridos. No Reino Unido, as suffragettes (Sufragista) e, talvez de maneira ainda mais eficiente, as sufragistas, fizeram campanha pelo sufrágio feminino. Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard.

A segunda onda feminista é bastante preocupada com as questões de igualdade que vão além do sufrágio, como acabar com a discriminação. As feministas da segunda onda veem as desigualdades culturais e políticas das mulheres como intrinsecamente ligadas e incentivam as mulheres a entender os aspectos de suas vidas pessoais como profundamente politizados e como o reflexo de estruturas de poder sexistas. A ativista e autora feminista Carol Hanisch cunhou o slogan “o pessoal é político”, que se tornou sinônimo da segunda onda.

A terceira onda do feminismo começou no início da década de 1990, como uma resposta às supostas falhas da segunda onda e também como uma retaliação a iniciativas e movimentos criados pela segunda onda. O feminismo da terceira onda visa desafiar ou evitar aquilo que vê como as definições essencialistas da feminilidade feitas pela segunda onda que colocaria ênfase demais nas experiências das mulheres brancas de classe média alta.

As origens do feminismo no Brasil se encontram no século XIX. Estas primeiras manifestações desafiaram ao mesmo tempo a ordem dos cavalheiros templários do mundo público (do voto, do direito como cidadã) e também, propostas mais radicais que iam além da igualdade política, mas que abrangiam a emancipação feminina, pautando-se na relação de dominação masculina sobre a feminina em todos os aspectos da vida da mulher. Durante o império, alguns juristas tentaram legalizar o voto feminino, com ou sem o consentimento do marido. A constituição de 1891, não excluía a mulher do voto, pois na cabeça dos constituintes não existia a ideia da mulher como um indivíduo dotado de direitos. Isso fez com que muitas mulheres requeressem, sem sucesso, o alistamento. A constituição republicana de 1891 continha inicialmente uma medida que dava direito de voto para as mulheres, mas na última versão essa medida foi abolida, pois predominou a ideia de que a política era uma atividade desonrosa para a mulher.

Em 1919, aquela que é ao lado de Nísia Floresta, considerada pioneira no feminismo brasileiro, Berta Lutz, fundou a Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, que lutava pelo voto, pela escolha do domicílio e pelo trabalho de mulheres sem autorização do marido. Rio Grande do Norte e Minas Gerais foram Estados pioneiros no país a legalizar o voto feminino. A primeira eleitora registrada foi Celina Guimarães Viana. Celina, em 1927, invocou o artigo 17 da lei eleitoral do Rio Grande do Norte, que dispunha: “No Rio Grande do Norte, poderão votar e ser votados, sem distinção de sexo, todos os cidadãos que reunirem as condições exigidas em Lei“. Em 25 de novembro de 1927, ela deu entrada numa petição requerendo a inclusão no rol dos eleitores. Face ao que o juiz Israel Ferreira Nunes deu parecer favorável, incluindo-a no rol dos eleitores e enviou telegrama ao presidente do Senado Federal, pedindo em nome da mulher brasileira a aprovação do projeto que instituía o voto feminino.

Vertentes do Feminismo

Feminismo NegroNa década de 1990

Feminismo Interseccional (pós-moderno) – Na década 1980

Feminismo Radical década de 1960

Feminismo Liberal – Século XIX

 

O Mulherismo é uma teoria nascida nos EUA, em 1945, a Cleonora Hudson, professora de inglês na Universidade de Missouri – Columbia, e explicado em seu livro Africana Womanism: Reclaiming Ourselves (Mulherismo Africano – Recuperando-nos), sendo também conhecida por escrever sobre o linchamento brutal de Emmett Till, em 28 de agosto de 1955, sendo a primeira a somar posição sobre este caso, que é apontado por alguns autores como o verdadeiro catalisador do movimento moderno dos Direitos Civis nos Estados Unidos. Ele prega que as teorias vinda da Europa não servem para as mulheres negras, entejam elas em diáspora ou nativas do continente africano, que deveriam buscar em um reencontro com sua ancestralidade africana uma verdadeira teoria matriarcal e afrocentrada.

 

Magareth Mead foi muito questionada ao publicar o livro Sexo e Temperamento. O material reunido esclarecia a diferença de temperamento, ou seja, diferenças entre dons individuais inatos, sem consideração de sexo. Alguns leitores chegaram a retrucar que os resultados formaram um “padrão bonito demais”. Utópico.

“(…) numa delas, homens e mulheres agiam como esperamos que as mulheres ajam: de um suave modo parental e sensível; no 2ª, ambos agiam como esperamos como os homens ajam: com bravia iniciativa; e na 3ª, os homens agem segundo o nosso estereótipo para as mulheres, são fingidos, usam cachos e vão às compras, enquanto as mulheres são enérgicas, administradoras, parceiros desadornados. Isso, acharam muitos leitores, era demais.”

 

Referências Bibliográficas

http://www.embaixadadaindonesia.org/indonesia.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Sociedade_matriarcal

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/1939297

https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo

http://www.esquerdadiario.com.br/Mulherismo-Africana-e-Feminismo-um-debate-necessario

GT 2– Família e Parentesco

Julia Paiva Magalhães

Inicialmente o enfoque realizado pelo grupo foi o aspecto familiar da homoparentalidade. Visto que, elas se diferenciam de outras entidades familiares apenas pelo preconceito sofrido. Utilizamos de teorias, pesquisas e etc. para demonstrar que não existe nenhum impedimento a esses casais de formar um núcleo familiar, há apenas uma falta de aceitação da sociedade fomentada pelo preconceito da Igreja. Logo, o meu recorte foi no ordenamento jurídico oferecido a essas famílias e as problemáticas encontradas. Por exemplo:

  • O Estatuto da Criança e do Adolescente fala que a adoção pelo casal só pode ser concedida caso sejam casados ou mantenham união estável, ou seja, não há impedimentos legais à adoção por casais homossexuais. Mas também não existe, nem no Estatuto da Criança e do Adolescente e nem no Código Civil, previsão legal explícita autorizando a adoção por casal gay, e muitos juízes se apegam a isso para negar esse direito.

 

  • Ainda não existe, no Brasil, uma lei dizendo que casais homoafetivos podem casar. Há apenas a resolução do CNJ. A ausência de legislação garantindo o casamento igualitário aos casais homossexuais os coloca em posição de desvantagem quanto a vários direitos sucessórios. Só casados tem direito a assumir a guarda do filho do cônjuge, companheiros não tem “direito real de habitação”, não podem autorizar cirurgias de risco e não há garantia de concessão de licença-luto em caso de morte do companheiro.

 

  • Criação do “Estatuto da Família”: Projeto propõe regras jurídicas para definir quais grupos podem ser considerados uma famíliaperante a lei. Em suma, o “Estatuto da Família” é, na verdade, uma tentativa de reagir às poucas leis presentes aos casais homoafetivos e é uma tentativa de definir em lei que tipo de família poderá ter acesso a direitos como pensão, INSS e licença-maternidade.

 

Relaciona-se precisamente com a heteronormatividade, ainda muito encontrada no meio jurídico, predominando nos dias atuais ações de cunho homofóbico em declarar que famílias são constituídas apenas de relações entre homens e mulheres. Juntamente, isso recai nos papéis que esses casais têm que desempenhar para se igualarem aos casais heterossexuais, acarretando em um comportamento heteronormativo nas suas relações. Por outro lado, ocorrem as problemáticas da adoção com a incerteza imposta a sua capacidade na criação da criança. As bancadas religiosas se utilizam de pensamentos e discursos equivocados, sem nenhum embasamento para afirmarem que a escolha sexual do casal pode influenciar a criança.

A apresentação do fator judicial se faz presente para mostrar a relevância dos pensamentos equivocados dos juízes sobre a parentalidade desses casais, onde é expresso a incompreensão em criar leis de proteção a essas famílias. Visto que, a ausência destas leis e o crescente aumento da bancada religiosa no meio politico fomenta a dificuldade para o oferecimento de assistências justas a essas famílias.

O estudo realizado pela Zambrano, E (2008). “Nós também somos família” foi extremamente relevante no nosso grupo, levamos em consideração a concepção de família e a apresentação do teor religioso que deturpa as novas configurações familiares presentes nos dias atuais. A partir do estudo do parentesco realizado por Lévi-Strauss foi possível entender a estrutura da organização social.

O enfoque dado pelo grupo três foi o que mais se aproximou do nosso trabalho, apesar do panorama ter se modificado para a questão feminista. Podemos ressaltar a Lei Maria Penha que foi a primeira a apresentar em seu texto a existência de famílias de pessoas do mesmo sexo. Deste modo, em uma forma de punir reconheceu as famílias homoparentais e lhe concedeu o status de família na parte jurídica brasileira.

GT 7 – Religião no Brasil

Nome: Angélica Antunes de Souza

Grupo: 7 – Religião no Brasil

Recorte: Religiões afro brasileiras. Traficantes evangélicos.

 

1.    Desenvolva suas justificativas para o recorte que fez, tendo em vista o enfoque dado e decidido pelo seu Grupo;

A partir da pergunta geradora “O estado brasileiro é laico? ” Foram discutidos os enfoques e desdobramentos que seriam dados ao trabalho e concordamos que todos os recortes menores investigariam esta questão, obviamente, dentro de suas limitações.

Para a escolha de recortes dentro do tema central (investigação sobre a laicidade do estado) foram levadas em consideração a pertinência dos subtemas com relação à sua representatividade (gênero, cor/raça, classe social) e como estes se encaixariam em no fio histórico condutor, embora este tenha sido feito com saltos, maiores ou menores, entre os recortes.

Foi levada em consideração também, a afinidade individual para o enfoque que cada membro do grupo iria dar. Levando em consideração e a carga de conhecimento, empírico ou acumulativo, trazida por cada pessoa, para que esta fosse melhor aproveitada.

Tendo em vista que vivemos no estado do Rio de Janeiro e este é um estado de desigualdades gritantes, onde a população preta e periférica é a mais silenciada e a maior vítima de violências, penso que não seria coerente a realização de um trabalho sem levar em consideração estas questões. Por isso escolhi falar sobre as religiões afro brasileiras e seus desdobramentos nas favelas cariocas.

E por fim, o tema se relaciona com o foco central de investigação do grupo por investigar a relação religião e poder dentro do tráfico e por ser este um poder paralelo que em muitas comunidades assume o papel do estado.

 

2.    Explique como ele se relaciona com os demais recortes feitos pelos demais membros. Analise a relevância dele, isto é, de que forma ele contribuiu para o desenvolvimento do enfoque escolhido pelo seu Grupo?

O recorte escolhido complementa os temas escolhidos pelo grupo, pois faz uma abordagem da perseguição vivida nas religiões afro brasileiras, sua pelo estado (que é laico?), pelo poder paralelo e pelas religiões evangélicas.

Por ser este tema já ser muito invisibilizado, pela mídia e sociedade em geral, parece-me urgente que seja abordo e discutido. Inclusive, ou talvez principalmente, dentro das universidades onde ainda hoje, apesar dos esforços da lei de cotas, sabemos ser um espaço majoritariamente branco e de classe média alta.

Além disso, me pareceu importante compreender o porquê de o número de negros apresentar um crescimento tão grande dentro das religiões pentecostais. Neste sentido, a pesquisa realizada sobre as religiões de matriz africana e as novas formas de experimentação do sagrado nas favelas cariocas tem também como objetivo trazer luz à esta resposta.

 

3.    Que importância a leitura dos textos fornecidos tiveram na organização do enfoque escolhido pelo seu Grupo? Analise o recorte feito por você, em função dos textos fornecidos. Explicite as relações que você fez.

Segundo Durkeim, o sagrado opõe-se ao profano e ao mesmo tempo se pressupõe, e foi neste sentido que direcionamos nossa investigação. Para entender como se dá esta proximidade e afastamento, nas relações religião x estado, evangélicos x religiões afro-brasileiras e de que forma estas relações de alteridade se apresentam na sociedade brasileira.

Para Durkheim, a pluralidade de crenças religiosas evidencia o impulso criador da sociedade e também a permanente tentativa do homem de elevar-se a uma vida superior à realidade cotidiana. As crenças, enquanto representações coletivas, atribuem significados a essa outra vida, enquanto os ritos estabelecem os regulamentos que garantem o funcionamento do culto religioso. Por conseguinte, os ritos são formas de reafirmação periódica do grupo e têm a função de prescrever comportamentos.

Esta atribuição de valores entre duas realidades, bem e mal, certo e errado, sagrado e profano é internalizada no decorrer de nossa vida. Muitas vezes valores pregados em caráter religioso se tornam culturais ou políticos e os naturalizamos em nossa sociedade.

Além disso, segundo a análise de religião de Durkheim, se há algo considerado profano ou demoníaco, como é o caso da umbanda e candomblé, há algo que é considerado sagrado em contraposição e é neste ponto que minha pesquisa se situa.

Porém para o recorte sobre o tráfico e as experimentações do sagrado nas favelas cariocas apresentado, por mim e Guilherme, utilizei também como base teórica Clifford Geertz. Me baseei principalmente em seus conceitos de ethos e visão de mundo, contidos em “A religião como sistema cultural”.

Geertz nos diz que os símbolos sagrados funcionam para sintetizar o ethos de um povo e sua visão de mundo mais ampla sobre a ordenação das coisas. Os símbolos religiosos estabelecem uma harmonia fundamental entre um estilo de vida particular (ethos) e uma metafísica específica (visão de mundo). A religião ajusta as ações humanas a uma ordem cósmica e projeta imagens desta ordem cósmica no plano da experiência humana, o que se mostra no cotidiano de cada povo. Ou seja, utilizei o conceito de ethos para compreender a noção de perspectiva, ou a forma de compreender o mundo, na conversão de traficantes as religiões evangélicas.

A escolha feita foi necessária e valiosa para compreender a utilização de símbolos sagrados (grafites, outdoors, trechos da bíblia…) pelo tráfico em Acari. E ainda a relação entre ethos e visão de mundo nos foi importante para compreender a relação dos traficantes com a religião, candomblé ou protestante, e a mudança na sua forma de operar, tanto dentro sistema do tráfico quanto com a comunidade e também no sentido oposto, da comunidade (família, amigos, líderes de associação…) para os traficantes.

 

4.    De seu ponto de vista qual seria o tema/enfoque desenvolvido por outro GT que teria mais relação com o desenvolvido pelo seu grupo. Explique.

Acredito que o grupo que teria mais relação com o de religião seria o GT de mídia, pois, não podemos negar ou minimizar a presença de diversos setores das igrejas católicas e protestantes, que se articularam em conchavos políticos com poderosas redes de comunicação com as mais peculiares finalidades, que vão desde a “comercialização da fé” até a difusão do Evangelho à manipulação de notícias.

A mídia tem papel privilegiado na construção da mentalidade brasileira. Manipulando o que será divulgado e de que forma, o que ajuda a perpetuar as dicotomias do inocente x culpado, sagrado x profano, certo x errado.

Além disso diversas igrejas contam com redes de TV e rádio espalhadas pelo país, e estes canais têm sido uma grande fonte de captação de novos fiéis. Muitas destas emissoras ficam no ar 24 horas por dia, o que permite as pessoas, independente dos seus horários e rotina, acompanhar a programação e facilita a adesão de fiéis.

Os veículos de mídia seriam um dos principais meios de propagação das religiões principalmente pentecostais e neopentecostais e além disso será um vetor de transmissão de determinados conceitos religiosos, conceitos estes que vão mascarar discursos de ódio ou servirão como base para julgamentos de moral e valores de determinados sujeitos. Tendo muitas vezes mais validade popular do que a própria lei.

 

Breve relato do recorte proposto:

Experimentações do sagrado nas favelas cariocas

 

A perseguição ao candomblé, por parte da polícia começou na Bahia em 1920. Sob a acusação de “práticas de feitiçaria e falsa medicina” a polícia e o poder público da época criminalizaram a religião, seus adeptos e seus locais sagrados. A partir deste momento vários de seus praticantes foram presos, terreiros foram fechados e as imagens de orixás destruídas ou apreendidas.

A acusação “práticas de feitiçaria e falsa medicina” é bem mais antiga que este momento, já constando nos livros de Visitação do Santo Oficio na Bahia. Na época da colônia, as maiores vítimas desta acusação foram as mulheres negra e indígenas, devido à escassez de médicos, as mulheres tendiam a cuidar de seus próprios corpos para prevenir doenças ou curá-las. Estes cuidados provinham de saberes milenares sobre o uso de ervas e sobre o corpo feminino. Portanto, a acusação se destinava a qualquer prática divergente das realizadas pela igreja católica e seus membros de grande influência (padre e/ou colonos), e não só a práticas religiosas. A permanência desta acusação, já no século XX nos mostra que ela se destina antes a raça ou cor dos acusados do que à prática religiosa em si.

No Rio de Janeiro, no início da década de 90, foi iniciada uma operação que visava a diminuição da criminalidade e perseguição ao tráfico nos morros cariocas. Nesta operação foi traçado um plano de ocupação das “áreas vermelhas”[1]. Em Acari este fator foi preponderante para a “demonização” dos cultos de matriz africana dentro da comunidade.

Nesta época o candomblé era a religião majoritária nos morros na cidade do Rio de Janeiro, sendo praticado pela população em geral e também pelos traficantes. Pelas paredes predominavam grafites de orixás e trechos de pontos[2] do candomblé, principalmente de Ogum ou de São Jorge com que é sincretizado na Umbanda. Estes grafites funcionaram como um mapa para a polícia na época, pois eram dispostos em pontos estratégicos do tráfico.

Além da ocupação policial ter promovido a diminuição do tráfico na região, fez questão de limpar o local de suas práticas religiosas. Muros foram pintados, imagens removidas e os terreiros foram esvaziados, afinal ser do candomblé podia ser algo muito perigoso, a final de contas isso estava relacionado a ideia de “bandidagem”.

As religiões evangélicas logo viram o terreno limpo para a expansão de sua fé e o número de igrejas aumentou drasticamente nos anos seguintes.

“A liderança dos evangélicos no campo religioso local e seu papel de mediador entre a população e a associação de moradores e o tráfico é crescente. Às lideranças evangélicas (pastores, bispos, diáconos, presbíteros e, em alguns casos e situações, até membros não integrados à hierarquia eclesial) recorrem políticos, a eles vão os mais necessitados em busca de apoio espiritual e material, a eles passaram a ir os “bandidos” em busca de proteção. A proteção espiritual passou a ser procurada pelos “bandidos” não mais com as mães de santo locais, enfraquecidas social e politicamente, mas com evangélicos que se posicionam como guardiões da moral e propagadores da “Verdade”. “ (CUNHA, 2008, p. 32)

A adesão dos traficas às religiões evangélicas, é visto muitas vezes pela população local como algo positivo, pois o seu modo de operar dentro das favelas mudou, as punições ficaram mais brandas e o número de mortes entre o tráfico e moradores diminuiu.

Hoje a maior parte dos grafites e outdoors de Acari são evangélicos e trazem imagens ou mensagens bíblicas.

acari

Outdoor sobre a associação de moradores do Parque Acari. Ao lado da estrutura de ferro que comportava uma imagem de São Jorge na década de 1990. Favela de Acari. Imagem de Christina Vital. Ano 2006.

Em março de 2008 foi fundada a CCIR (COMISSÃO DE COMBATE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA) por umbandistas e candomblecistas em resposta aos constantes ataques de membros do tráfico a terreiros localizados nas periferias e morros no Rio de Janeiro. À mesma época foram realizadas manifestações e caminhadas pela liberdade religiosa.

“Os acontecimentos emblemáticos da época foram: em algumas favelas cariocas traficantes de drogas convertidos ao neopetecostalismo invadiram espaços sagrados das religiões afro-brasileiras, quebraram imagens e ameaçaram de morte os religiosos que não se convertessem ao Evangelho5; em outras áreas pobres da cidade dominadas por milicianos que começaram a acuar religiosos de matriz africana; um terreiro de umbanda, na Zona Sul da cidade, foi invadido e depredado por quatro integrantes da Igreja Evangélica Nova Geração de Jesus Cristo, estes foram presos.” (SILVA, p. 25)

O fato é que, embora muitos moradores aprovem a conversão dos traficantes às religiões evangélicas, está mesma conversão, que aparentemente propõe uma convivência mais pacifica com a comunidade, traz a perseguição e violência para outros.

A criação da Comissão de Combate a Intolerância Religiosa é uma importante tentativa de manter o direito à liberdade religiosa dos cultos afro brasileiros. Pois o próprio estado, supostamente laico, legitima as religiões católicas e evangélicas, mesmo que indiretamente.

Encerro com as palavras de Christina Vital da Cunha sobre o assunto:

“A aproximação dos traficantes dos evangélicos, ou melhor, o reconhecimento por parte dos traficantes do lugar que os evangélicos têm como moralmente superiores implica, sustento, a consolidação destes últimos como uma força tanto no campo religioso como político local. Ou seja, o tráfico passa a retroalimentar as igrejas evangélicas não unicamente por aprofundar ou promover sentimentos de insegurança e medo na população de favela que passou, assim, a buscar cada vez mais nos templos dos mesmos evangélicos amparo espiritual, tese defendida por estudiosos e divulgada amplamente pela mídia. Sustento que a retroalimentação promovida pelo tráfico se relacione, pois, ao fato deles mesmos – importantes agentes de referência na sugestão (e/ou imposição) de gostos, crenças, expressões e condutas para boa parte dos moradores locais, mesmo para aqueles não integrantes do tráfico – empoderarem as lideranças evangélicas (e os fiéis desta religião) a partir da admissão da autoridade moral e espiritual que ora eles representam na favela. Esse seria um elemento fundamental na agregação de poder tanto por parte das lideranças criminosas quanto por parte dos evangélicos de forma geral que residem nessas localidades. Sustento, por fim, que o encontro destes poderes em Acari (como em outras favelas na cidade) vêm produzindo re‑equilibrios de poder que afetam a dinâmica social local e, quiçá, supralocal. ”(2008, p. 44)

NOTAS

[1] Áreas que representavam maior risco, segundo avaliação técnica e política dos órgãos então envolvidos, à cidade e à ordem pública.
[2] Pontos são canções do candomblé ou da umbanda direcionadas aos orixás.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DURKHEIM, Emile. Formas elementares da vida religiosa. São Paulo. Martins Fontes, 2000.

GEERTZ, Clifford. A interpretação das culturas. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008 [1973].

SILVA, Raquel Cabral. Conflitos religiosos e espaço urbano contemporâneo: cruzamento dos fenômenos de dispersão espacial dos sistemas de significações religiosas de neopentecostais e religiões afro-brasileiras no Rio de Janeiro. Tese (Mestrado). UFSM. Santa Maria, 2013.

VITAL DA CUNHA, Christina. “Evangélicos em ação nas favelas cariocas: um estudo socio‑antropológico sobre redes de proteção, tráfico de drogas e religião no Complexo de Acari”. Tese (Doutorado). PPCIS/UERJ. Rio de Janeiro, 2009.

VITAL DA CUNHA, Christina. “Traficantes evangélicos”: novas formas de experimentação do sagrado em favelas cariocas. Revista do Programa de Pós‑Graduação em Sociologia da USP, São Paulo, v.15, 2008.

 

 

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